11 mitos que muitos acreditam que acontecem

Alguns mitos que ouvimos como verdades científicas. Muitos podem até serem plausíveis, porém, não há comprovação científica.

Um cientista realizou o seguinte experimento: gritava com um gafanhoto e o inseto pulava. Retirava então uma perna do bicho e gritava novamente e ele novamente pulava. Repetia o processo até o gafanhoto não ter mais pernas. Assim, ao gritar o bicho parara de pular. Conclusão do cientista: o gafanhoto ouve pelas pernas.
Essa anedotada ilustra como algumas conclusões de experimentos pseudo-científicos passam a habitar o imaginário popular e vão se alastrando como verdades da ciência.
Assim, como somos bombardeados diariamente com inúmeros estudos pesquisas que se contradizem a todo instante, devemos optar por seguirmos recomendações baseados no bom senso e intuição, ou seja, confiar na sorte (alguns diriam confiar em Deus, que seja, na falta da lógica e da razão o vácuo de certezas que nos desequilibra é rapidamente ocupado pela fé e pelas supertições). 
Então aí vão alguns mitos que não se confirmaram (pelo menos na opinião de alguns estudiosos):

Mito 1: Ler com pouca luz faz mal à visão.
Fato: Não há comprovação científica. 
Pesquisadores, da Universidade Escola de Medicina de Indiana, em Indianápolis, tentaram averiguar a verdade de premissas como o mito acima e os resultados, publicados na revista científica British Medical Journal, sugerem que essas crenças ou são falsas ou não contam com evidências suficientes para serem comprovadas cientificamente.

Mito 2: Beber oito copos de água por dia faz bem.
Fato: Não há comprovação científica. Os pesquisadores disseram não ter encontrado evidências de que beber oito copos de água faz bem para a saúde. Os estudos sugerem que o consumo adequado de líquidos é alcançado pela ingestão de sucos de fruta, leite, café e chá.

Mito 3: usamos apenas 10% de nosso cérebro.
Fato: essa crença também não parece ser verdade. De acordo com a pesquisa feita em Indiana, não há nenhuma parte do cérebro "completamente inativa" e exames feitos no cérebro "falharam ao não conseguir identificar os outros 90% que não funcionam".

Mito 4: Unhas e cabelo continuam crescendo após a morte.
Fato: Não há comprovação científica. A teoria de que cabelos e unhas continuam crescendo em defuntos pode ser apenas uma "ilusão de ótica" devido à retração da pele após a morte.

Mito 5: Comer à noite engorda.
Fato: Comer muito engorda. Comer à noite engorda tanto quanto comer qualquer hora do dia.
Os autores Rachel Vreeman e Aaron Carroll analisaram várias pesquisas por trás desses mitos, para provar que, na verdade, muitos não têm fundamento científico.
Para contestar o mito de que comer à noite engorda mais, eles citam o resultado de uma pesquisa realizada na Suécia com 177 mulheres.
Ela constata que as mulheres obesas comem mais à noite do que as não obesas, e que isso ocorre simplesmente porque elas faziam mais refeições. 

Mito 6: ressaca tem cura.
Fato: a única forma de evitar a ressaca é bebendo com moderação.
Depois de consultar vários estudos sobre o assunto, Vreeman e Carroll concluíram que esse é outro mito. Embora bananas, aspirina, e até uma cerveja sejam recomendados para combater os efeitos do excesso de álcool no temido "dia seguinte" isso não se sustenta.

Mito 7: o açúcar deixa as crianças hiperativas.
Fato: o açúcar não é o responsável pelo descontrole das crianças.
Pelo menos 12 estudos já foram feitos para examinar como as crianças reagem ao açúcar e nenhum deles conseguiu detectar qualquer diferença de comportamento. 
Os cientistas até estudaram a reação dos pais ao mito do açúcar. Quando os pais crêem que seus filhos tomaram bebida com açúcar, eles avaliam o comportamento dos filhos como mais hiperativo. A diferença no comportamento das crianças está na cabeça dos pais.

Mito 8: os suicídios aumentam no período de festas.
Fato: Nada a ver. Sem comprovação científica.

Mito 9: a poinséttia (planta de folhas verdes e vermelhas, usada na decoração nesta época do ano, principalmente no hemisfério norte) é tóxica.
Fato: Não há estudos que comprovem (isso não quer dizer que você deveria usar essa planta na salada).
poinséttia
Mito 10: usar chapéu é fundamental para manter o corpo aquecido porque a cabeça é a parte do corpo que mais libera calor.
Fato: O calor do corpo, dizem os autores, é liberado proporcionalmente por todas as partes do corpo descobertas.

Mito 11: A sociedade moderna dorme pouco. As pessoas tendem a dormir mais nos fins de semana ou nas férias para compensar o sono acumulado durante a semana.
Fato: Não é só porque dormimos além das horas habituais no sábado e no domingo que precisamos de horas extras de sono. Nós já comemos e bebemos além das nossas necessidades biológicas. Por que não faríamos o mesmo com o sono?

É claro que devemos sempre desconfiar das pesquisas e desenvolvermos, sempre que possível, nosso discernimento do que é comprovado e do que não é (ainda que a tese possa ser plausível). O que normalmente não é fácil.
Também deveríamos sempre buscar saber os interesses de quem financia a pesquisa divulgada (o que pode aumentar a suspeição sobre os resultados obtidos).
Por exemplo, eu sei que café não me faz bem. Parece atacar o estômago. Aí aparece uma propaganda de duas páginas na Veja patrocinada pelo governo dizendo justamente o contrário: que café não faz mal para o estômago, ajuda a melhorar a concentração, emagrece etc. Não vou passar a beber mais café por conta disso (aliás pretendo passar a beber chá em 2009), admito que não posso servir como uma benchmark para generalizar os benefícios ou os males do café. Mas também não acho que a propaganda está dizendo tudo. Quer ver a diferença entre uma propaganda e um estudo? Veja uma propaganda de um remédio e a bula de um remédio. 
Mas atenção! A ausência de evidência não deve ser confudida com ausência de efeito.
Fonte: 
'Mito' da falta de sono é preguiça intelectual, diz especialista - BBC Brasil
Comer mais à noite não engorda, dizem cientistas - Terra
Cientistas americanos desfazem 'mitos' da crença popular - BBC Brasil

0 comentários: