Cor''Aline''


                   

Bonecas, ela as odiava, desde que podia se lembrar, nunca tinha gostado de bonecas, sempre achara que elas eram estranhas com seus sorrisos falsos.
Seu nome era Aline, uma garota de 15 anos, com cabelos cor de caramelo e olhos azuis. Ela não era a pessoa mais popular da escola, na verdade, ela era quase invisível, não se importava com a companhia de outras pessoas, já que a maioria a achava estranha.

Ela era o "perfeito" alvo de bullying como podemos dizer, os seus "colegas" adoravam a derrubar ou esbarrar nela apenas para dizer "CorAline não enxerga a gente com esses seus olhos de botão não sua puta?!?!". Aline já não ligava mais para as brincadeiras de mau gosto, as vezes de tanto chorar as coisas começam a cansar e perder o sentindo não?
Do que adiantaria ela reclamar para alguém? A mãe (que perdeu seu marido) estaria bêbada demais para se importar, a diretora diria como sempre que iria falar para eles pararem, o que realmente nunca o faria, sendo assim Aline não tinha nada melhor a não ser ignorar e aguentar tudo calada.
Mas em toda essa brincadeira sempre tem alguém que exagera, esse era Tristan, um garoto que a atormentava junto com um bando de coleguinhas.
Ela sempre o ignoravam nunca levantou um dedo contra ele em todo esse tempo, mas isso estava prestes a mudar. Aquele era provavelmente o único dia do ano em que sua mãe estava sã, e dessa vez ela não teria que ir ao colégio por ser um domingo: era seu aniversário.
Ela teria uma pequena festa, mas apenas a companhia de sua mãe e sua avó que vinha de longe para vê la, fazia com que algo valesse a pena.
Mas algo naquele aniversário faria com que tudo lentamente se desmanchasse. Ela acordou levemente feliz, colocou sua regata branca, sua blusa de capuz vinho, sua calça jeans e botas e desceu, indo de encontro com sua avó que a esperava com um presente.
-O que é? - Aline falou arrumando seu cabelo
-Abra querida! Tenho certeza que vai gostar - ela respondeu gentilmente
Aline pegou o embrulho e então sentiu um arrepio percorrer seu corpo, não importava o que estivesse ali dentro, tinha a sensação de que não iria gostar.
Começou lentamente há tirar o papel, quando terminou, tinha em suas mãos uma linda boneca com brilhantes olhos de botões vermelhos. A principio ela encarou a boneca, não gostou dela, foi de repente que uma sensação de medo começou a brotar dentro dela.
-gostou querida?
- Ela é muito b-bonita... - não podia culpa - la pelo presente
Aquele dia veio e foi como um raio, no fim da tarde sua avó já tinha ido embora e agora, na escrivaninha do lado de sua cama, tinha uma boneca.
De começo, ela não gostava da boneca, na verdade, não gostava nem da ideia de ter uma. Mas dois dias se passaram e ela tinha começado a se acostumar, porém no terceiro dia tivera um pesadelo com ela... e nesse pesadelo a boneca arrancava um de seus olhos e o trocava bor um botão.
Foi um dia no colégio que as coisas começaram realmente a mudar, Aline andava pelo pátio, quando um pé em seu caminho junto de um empurrão fez com que ela caisse.
-Olá "CorAline" cega demais para nos ver? - DIsse tristan rindo
Aline não respondeu, apenas começou a recolher seus livros que estavam espalhados pelo chão, então um loiro em sua frente chutou os livros para longe. Foi a gota d'água, seus olhos começaram a se encher de lágrimas e ela o encarou.
-O bebê vai chorar é? - ele falou rindo maldosamente
Fechou os olhos enquanto sentia lágrimas escorrem pelo seu rosto, e ouviu uma voz.
"Você vai deixar Aline? Vai continuar quieta aguentando?"
Ela se assustou.
"Vamos lá pequena, faça eles pagarem!"
Aline paralisou escutando a voz.
"Vamos Aline! É isso que você quer!!"
A voz gritou.
O rosto do garoto se contorceu com o soco que ela havia acertado em seu estômago, ao mesmo tempo todos pararam espantados. Ela já não tinha mas noção do que fazia, acertou outro soco em seu rosto e ele caiu no chão com o nariz sangrando.
-Sua idiota! - Tristan gritou - Para com isso!!!
Com um movimento, Aline o empurrou contra a parede fazendo que seus ossos chacoalhassem, estava prestes a desferir um soco nele quando parou.
"muito bem"
Falou a voz com uma risada macabra.
Aline deu se conta do que estava fazendo, pegou rapidamente seus livros e correu para a sala onde ficou até que a aula começasse.
A pergunta "o que foi que eu fiz?!" passava sem parar em sua mente... o mais estranho é que se sentia bem com tudo isso. Ficou calada até que toda a aula acabasse, aparentemente o ocorrido não tinha sido comentado.
Os dias se passaram e cada vez com mais frequência Aline ouvia aquela voz e junto, um Tic Toc que cada vez mais a irritava.
Junto com isso também veio as coisas piorando, Tristan e seus amigos por um tempo a deixaram em paz, mas logo isso passou, e a brincadeira passou para vingança. EM uma tarde quando ia para casa notou que estava sendo seguida.
Ela ignorou por um longo caminho, e foi então que sentiu uma pancada em sua cabeça, logo depois sentindo a mesma ficar molhada. Virou para eles e viu no chão uma pedra suja com seu sangue.
-Vamos lá "CorAline"! Onde está a sua raiva e sua coragem agora!??!-Falou o mesmo loiro, acertando uma de suas pernas com um pedaço de madeira, fazendo com que caísse.
-Você mexeu com quem não devia - Outro garoto a chutou
-Era melhor nunca ter feito aquilo sua idiota! - e assim todos começaram a lhe bater.
Algum tempo depois foram embora, deixando Aline estirada na calçada com sua pele coberta de sangue e hematomas, recuperando um pouco do ar, se levantou fraca pegou sua mochila e continuou o caminho para sua casa enquanto chorava baixo.
Já não queria voltar para casa para ver sua mãe bêbada, muito menos para o colégio, mau sabia que não teria mais que voltar.
Entrou em sua casa engolindo o choro e ouviu um barulho na cozinha, provavelmente sua mãe havia saído mais cedo do trabalho e estava se embebedando.
-Quem está ai? - A mãe perguntou com sua voz bêbada
-O-oi m-mãe....- ela gaguejou, aparecendo discretamente na cozinha para ver sua mãe virando outra garrafa em seu copo.
"Ela está bêbada... não vai notar" ela pensava sem parar, torcendo para que ela não a olhasse. Mas aconteceu.
- O que?!?!? - gritou a mãe olhando ela, seu coração já começava a bater mais forte- Sua garota estúpida o que você fez!?!?!?
Aline não teve tempo para responder, sua mãe já a estava empurrando contra o balcão da pia lhe enforcando.
-Sua estúpida! Você não sabe o tanto que te odeio!
Ela perdia cada vez mais seu ar, até que passando a mão pelo balcão sentiu uma tesoura.Dessa vez a voz não disse uma frase, foi apenas uma palavra:
"Faça!!"
A voz gritou.
Com um pequeno movimento ela fez um corte no rosto de sua mãe fazendo com que cambaleasse para trás.
-Você... o que você pensa que está fazendo!?!?!?!? Você vai pagar por isso!!
Ela se virou para pegar a garrafa e acerta-lá em Aline, quando arrancando a garrafa de sua mão, ela cravou a tesoura em seu pescoço, o sangue se espirrava por suas roupas e pelo chão.
Em algum instantes, a mãe havia caído morta enquanto uma poça de sangue se formava ao seu redor. Pegou a tesoura, subiu as escadas e entrou em seu quarto
"Muito bem querida!" A voz riu "Se sente muito bem não?!"
Aquilo já não a assustava mais, Aline e sua sanidade tinham acabado de se separar.E ai viu a boneca, que a encarava com seus estranho sorriso que agora parecia mais sombrio.
Pegou a boneca e olhou para seus olhos de botões que pareciam que a encaravam.
-"CorAline" "CorAline" onde está seus olhos de botão?! - ela falou com um sorriso horrível em seu rosto
Com um movimento rápido da tesoura, arrancou um dos botões.
-Vamos! Você precisa de olhos de botão! - Ela riu descontrolada.
Pegando a agulha e linha que usava para costurar suas roupas, fechou um de seus olhos e colocando o botão em cima, começou a costura-lo em seu olho, nada doía, e enquanto seu olho era furado pela agulha fazendo sangue escorrer por debaixo do botão, ela ria consigo mesma.
Ela terminou e ficou a se contemplar diate do espelho.
-Não ainda não acabou, você ainda tem olhos para trocar
Disse pegando mais dois botões e a tesoura e deixando de uma vez a casa.
Não muito longe dali, em uma casa silenciosa, Tristan estava deitado sozinha em seu quarto, seus pais haviam saído e ele estava entediado de ficar lá.
Ouviu uma porta se abrir no andar de baixo.
-Mãe? Pai?-ele perguntou, iria se arrepender logo por te-lo feito
Os passos começaram a subir a escada, sem resposta
-Qual é! Isso não tem graça! - ele falou estranhando, ouvindo um Tic Toc sem parar.
No corredor, o barulho de algo arranhando a parede o assustou, e de repente tudo ficou em silêncio. Se encolheu quando a porta abriu revelando que estava ali.
Suja de sangue, segurando a tesoura e com o cabelo cobrindo um de seus olhos, Aline o encarava sorrindo.
-A-Aline?! - ele começava a ficar com medo - o q-que houve com você!??!
-Olá Tristan! - ela falou sorrindo - Não fique com medo! Logo não sentira mais nada!
-Aline isso não tem g-graça! - ele falou andando para trás
Ela o ignorou,andou lentamente até ele e o segurou pelo pescoço contra a parede.
- A-aline o que es´ta fazendo!?! -ele gritou
- Só brincando com você! Igual faz comigo
E com isso ela cravou a tesoura em seu olho fazendo com que ele gritasse.
- SHHH não que acordar os vizinhos quer?!- ela tampou sua boca com o lençol - consegue ouvir esse Tic Toc? eles etá ,e deixando louca me mandando trocar seus olhos por botões
Ele se encolheu e gritou vendo o olho de botão dela, começava a colocar o botão em sua cavidade ocular, deixando seu olho cair pelo chão. Acabando pegou novamente a tesoura e cravou em seu outro olho fazendo com que mais sangue vazasse, ele gritou, mas seu grito fora abafado pelo lençol, Tristan começou a sentir seu corpo vacilar e caiu ajoelhado no chão.
Seus olhos estavam cortados no chão, e agora tudo que havia ali eram dois botões. A ultima coisa que escutou foi a risada dela e assim algo cravou em seu peito, seu corpo ficou leve enquanto o sangue escorria e finalmente morreu.
Aline sumiu, mas deixava um rastro de mortes por onde passava. Tomem cuidado quem sabe sejam o próximo? Agora tenho que ir, estou ouvindo algo arranhar o corredor daqui de casa, acho que é meu irmão querendo me assustar, é melhor eu ir ver.

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