O Cachorro Perdido

                                                   
“Que droga Max!” resmunguei enquanto dava a décima volta na vizinhança. Minha namorada estava junto, tentando a todo custo chamar pelo cão idiota.

“Acho que ele não voltará dessa vez,” falei com ela, embora não soubesse se ela estava me ignorando ou se estava apenas ocupada vasculhando um arbusto ali perto. Como se aquele cachorro infeliz estivesse tirando um cochilo no meio de um maldito arbusto.
Essa droga de cão foi um presente dos pais dela, presente... hãm, na verdade é um ato de provocação. Eles não gostam de mim e sabiam que eu não gostava de cães. Acho que eles pensaram que isso nos separaria, mas eu consegui tolerar aquele saco de pulgas ambulante, fiz porque sabia que isso propositalmente, foi para irrita-los.
Enquanto eu passava pelos postes, colava em cada um o aviso de “Cão desaparecido”. Minha vontade era de jogar tudo no lixo e terminar logo com essa putaria.
“Ei, amor,” minha namorada gritou para mim. “Pode ir à lanchonete da outra rua e me trazer um café quente? Está tão frio, e eu não quero congelar aqui fora.
Que beleza, então se não quer congelar, porque não voltamos para casa ao invés de procura por esse maldito cão, Pensei.
“Claro,” respondi com um tom de sarcasmo. Sabe, eu amo essa mulher, mas, droga! Ela é bem estúpida as vezes.
Enquanto dobrava a esquina, quase próximo à lanchonete, um folheto chamou minha atenção.
O folheto exibia claramente: “CÃO ENCONTRADO”, e a foto de um cão que parecia com o nosso. Cheguei mais perto para ler, eu queria ter certeza de que a busca havia terminado.
“Labrador macho encontrado na Terça-feira, 15 de maio, às 6:20 pm, na esquina da Rua Três com a rua Alvorada. O cão aparenta quase um ano. Preto com uma mancha em forma de coração no queixo. Uma cicatriz na pata traseira esquerda. Colar marrom sem identificação.”
Ótimo! Pensei. Alguém encontrou esse diabo. Havia algo escrito em letras bem miúdas no fim do texto, mas pensei que era apenas o endereço da pessoa, então nem conferi. Cheio de alívio – não pelo cão encontrado, e sim por estar a um paço de ir de voltarmos para casa – chamei minha namorada.
“O que foi?” ela perguntou, encostando a cabeça em meu ombro. “Oh!” ela finalmente percebeu o folheto no poste a sua frente. “Olha! É o Max!” ela falou, lendo o aviso em voz alta, para confirmar se o cão na imagem era realmente o nosso.
“Meu Deus!” ela gritou e tropeçou para trás começando a chorar de repente.
“O que tem de errado?” perguntei. “Já encontraram ele.”
Ela não respondeu, apenas apontou lentamente para o aviso.
“Não entendi,” falei, voltando para o aviso e lendo outra vez, achando que tinha deixado passar algo.
Não encontrei nada de estranho, até que cheguei ao fim do texto e apertei bem os olhos para enxergar as letrinhas no final.
“Era saboroso, tinha gosto de frango”

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